Fórum de Carreiras da PUC/PR

Fórum de Carreiras - PUCPR

Com satisfação, participarei do “Fórum de Carreiras”, organizado pela PUC/PR, que será realizado entre os dias 20 e 22 de agosto.
No evento, ministrarei palestra sobre Direito Desportivo no dia 22, às 20h, no auditório Mário de Abreu, Bloco Verde da universidade.
A programação completa você pode conferir neste link http://forumdecarreiras.pucpr.br/category/programacao/
É mais um momento de orgulho na minha caminhada na advocacia.

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O Cartão Amarelo da Discórdia

A Copa do Mundo se aproxima e o futebol brasileiro vem passando por um turbilhão de debates sobre as mudanças que virão depois dela, especialmente fora de campo, onde é mais sentida e urgente a adaptação a uma nova exigência inerente à gestão dos clubes.

Muito se fala em profissionalismo, em medidas necessárias a tornar os clubes viáveis financeiramente e mais um sem número de teorias alternativas, porém, fica nisso. Muito se fala. Fala-se muito.

Acontece que essa “nova mentalidade” é, por vezes, seletiva. Vale para alguns, para outros, faz-se vista grossa.

E impressiona ainda mais o esforço que muitos fazem para criar polêmica em fatos casuais, baseando-se em achismos, cogitações.

No último duelo válido pela Série B, o Palmeiras venceu o Paraná Clube num jogo de bom nível técnico, bem disputado, como pouco se vê em muitos jogos da Série A. Estádio cheio, gols, liderança e subida na classificação em jogo, todos os ingredientes para um bom jogo estavam em campo e foram muito bem utilizados pelas esquadras para transformarem tudo num belo jogo de futebol.

Porém, surpreende o fato de chamar atenção um fato disciplinar surgido, consumado e exaurido na própria partida.

O fato, de menor importância em relação ao jogo, diga-se de passagem, é o cartão amarelo recebido por Valdívia. Talvez o maior erro do jogador tenha sido o de comemorar  a advertência recebida “forçadamente”, a terceira que lhe rende a suspensão automática para a próxima partida do Palmeiras, frente o Joinville, partida que não disputaria de qualquer forma por estar a serviço da seleção chilena.

Valdivia, Palmeiras x Paraná Clube (Foto: Alex Silva/Agência Estado)

Crédito: Agência Estado

A discórdia surge a partir do “achismo” de alguns de que o respectivo tribunal desportivo, no caso o STJD, deveria intervir para punir Valdívia por adotar essa conduta, a qual, em tese, configuraria alguma infração disciplinar punível pois representaria uma manobra em benefício próprio e de seu clube.

O futebol inverte a ordem das coisas. Por vezes, o transgressor se torna herói, inesquecível, um benfeitor da arte, pelo simples fato de fazer gato e sapato do adversário, ou mesmo driblar a regra. E não há tribunal disciplinar que dê jeito.

Alguém condena Nilton Santos pelo passo para fora da área, no jogo contra a Espanha pela Copa de 62, que “transformou em falta” o pênalti que havia cometido em Collar? Naquela altura, o Brasil perdia o jogo e poderia ser eliminado.

E qual torcedor uruguaio reprova a atitude de Suárez de defender com a mão, em cima da linha de meta, aquele que seria o gol da classificação de Gana para as semifinais da Copa do Mundo de 2010? Ele foi expulso, o árbitro marcou o pênalti, mas o Uruguay avançou porque o penal foi desperdiçado. E quem o esquece? E quem o puniu por esse ato?!

Valdívia não foi tão longe quanto Suárez. E, creio, também não deve receber punição disciplinar.

Pelo simples fato do próprio CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) afastar essa possibilidade ao dispor que as decisões disciplinares tomadas pelo árbitro da partida são definitivas, e somente poderiam ser revistas pelo tribunal para aplicar reprimenda mais severa quando o fato for grave e tenha escapado da atenção do árbitro, ou exista erro grosseiro na aplicação da regra. É assim que dispõe o art. 58-B, do CBJD.

Nenhuma dessas condições se aperfeiçoam para abrir a possibilidade de punição. Se o atleta avisou antes da partida que “forçaria” o cartão, e se demonstrou satisfação após receber a advertência, isso não é suficiente para ensejar a punição pelo tribunal. Respeito aqueles que pensam contrário, porém, a meu ver, utilizar disso para tentar apontar uma infração é arquitetar a situação. E esse debate, penso, é desnecessário.

Porque, efetivamente, o cartão amarelo aplicado pelo árbitro puniu o atleta e colocou o limite para atuação jusdesportiva. E se o atleta não fosse advertido, o árbitro seria punido? Ainda que a iniciativa de alcançar o terceiro cartão configurasse infração disciplinar, a consequente suspensão automática seria a reprimenda equivalente, e assim se esgota.

E porque certas coisas nunca mudarão no futebol, e a atitude de Valdívia é uma delas. E continuarão a ser incentivadas e praticadas por outros atletas, silenciosamente. O futebol não é uma atividade puritana.

A influência de muitos fatores externos tem criado um ambiente às vezes estéril para o futebol exatamente por não respeitar os ingredientes da disputa.

É melhor voltarmos os olhos para dentro de campo, e resgatar a convicção de que é a partir do campo de jogo que tudo se origina.

Afinal, o jogo não é um mero detalhe.

Um novo momento brasileiro? Reflexão sobre os manifestos de outono.

O motivo era a o aumento da tarifa de ônibus, e a reivindicação era para devolvê-la para o valor anterior. E, para algumas classes, zerá-la.

A iniciativa não tinha apoio de partido político algum; partiu de um grupo de cidadãos que idealizaram a causa e decidiram, por conta própria, dar maior voz a essa reivindicação.

Mas vivemos tempos de velocidade na divulgação das informações e das intenções, principalmente quando manifestadas nas redes sociais, e isso constitui um convite para aumentar o debate e aglutinar outros assuntos, interesses, pessoas. E na mesma velocidade que tomou maior proporção, o manifesto pela redução da tarifa ganhou novos motivos e ingredientes.

E assim, juntou-se ao movimento as reivindicações por mais lisura com os recursos públicos, serviços públicos eficientes, combate à corrupção, a cobrança por uma atuação responsável e correta dos parlamentares enquanto legisladores e representantes do povo; a insatisfação quanto ao excessivo gasto com as Copas do Mundo e das Confederações e a falta de reversão do mesmo investimento para os serviços públicos, a reprovação de uma proposta de emenda constitucional (a PEC 37), o descontrole dos gastos públicos, o aumento do custo de vida, a intenção de um país melhor!

São Paulo, 13.06.2013

São Paulo, 13/06/2013

E o movimento que começou com certa reprovação despertou o interesse do país quando, em 13/06, em São Paulo, eclodiu um grave conflito que feriu manifestantes, policiais, profissionais da imprensa. A partir de então, não só os paulistanos, mas cariocas, gaúchos, curitibanos, soteropolitanos, candangos, aderiram incondicionalmente a onda de manifestos que culminou com uma sonora e constrangedora vaia à presidente Dilma Roussef em plena cerimônia de abertura da Copa das Confederações. O presidente da FIFA foi igualmente contemplado com a “homenagem”.

O que se seguiu foi uma crescente nas manifestações nas capitais, cidades pólo, e o movimento que era direcionado se transformou, ganhou corpo, ainda mais assuntos, adeptos, repercussão. Mas nem tudo são flores e, como em toda aglomeração, se juntam os que detém o instinto de violência e, com efeito, atos de vandalismo, depredação do patrimônio público e particular tornaram parte do cenário.

De tudo o que ocorreu, é necessário reconhecer que estamos diante do início de um novo momento social.

Essa união de pessoas e de reivindicações não constituem protesto. É manifesto mesmo, puro, do povo que se une e dá voz e massa ao sem número de reclamos que nós fazemos diariamente nos bate-papos que travamos em nosso meio social. Melhor prestação do serviço público, maior combate à corrupção, transporte coletivo de qualidade, eficiência do trabalho legislativo e da segurança pública.

Quem não participou diretamente certamente se envolveu de alguma forma, por frases nas redes sociais, debatendo em casa com a família; o fato mexeu com a vida dos brasileiros e, principalmente, com o sossego da classe política que se viu fora da zona de conforto e precisou agir, se unir para buscar providencias e dar uma resposta efetiva a essa diversidade de insatisfações, manifestadas de uma vez só. Como se eles não soubessem que isso aconteceria.

Avanços ocorreram, social e político; o aumento das tarifas do transporte coletivo foi revogado em várias capitais, incluindo a própria redução do preço; situação e oposição tiveram que se unir para alcançar as respostas pretendidas pelo povo, sendo emblemática a entrevista coletiva que colocou lado a lado Alckmin e Haddad, PSDB e PT, para anunciar as medidas tomadas em conjunto. Um pacto entre os governantes foi anunciado pela Presidente da República como meta para atender as reivindicações vindas do movimento.

Rio de Janeiro, 17/06/2013.

Rio de Janeiro, 17/06/2013.

Negar e não reconhecer essas conquistas e alienar-se da importância que a união do povo é capaz. Ainda que desordenada, sem líderes pré-determinados, sem a influência de partidos políticos.

E esse é um ponto interessante. Ao se autointitular apartidário uma outra mensagem é passada: ao não admitir a adesão dos partidos políticos, o povo escancara não confiar na representação de suas causas pelos partidos, demonstra a descrença nos líderes políticos e nas próprias agremiações e instituições democráticas, a chamada crise de representação política, permitindo, quiçá, o surgimento de novas lideranças. E isso só o tempo dirá.

Contudo, ao mesmo tempo, esse movimento também demonstra a necessidade de melhor qualificação do discurso dos manifestantes.

As redes sociais surtem grande influência na juventude, mas a informação despejada geralmente é mal assimilada, mal compreendida, e gera um comportamento sem razão, sem fundamento. E isso muito se viu. Exemplo são os cartazes pedindo providencias para uma autoridade quando a cobrança deveria se destinar a outra, sendo exemplo o pedido para a presidente “vetar a PEC 37”. Ela não veta emenda constitucional porque não tem poder constitucional para isso.

Para manifestar não é necessário ter profundo conhecimento dos assuntos, mas o conhecimento mínimo sobre questões básicas relacionadas às providencias que se pedem.

Estamos sim diante de um novo momento.

O povo se volta contra seus representantes, cobrando o que deles se espera.

Ainda que de forma não organizada, formando uma verdadeira salada de reivindicações, o recado é bastante claro exigindo uma nova postura dos governantes e parlamentares, para ditarem um rumo às ações políticas voltadas ao real atendimento dos interesses do povo, especialmente, com responsabilidade no trato do dinheiro oriundos dos impostos.

Os atos de violência não tiram a legitimidade do manifesto e dos avanços conquistados. Ao contrário, demonstram a necessidade do Estado melhor se planejar para lidar com movimentos dessa natureza, coibindo e reprimindo os vândalos, o que leva à necessidade de um melhor aparelhamento dos agentes de segurança pública e de Leis mais rígidas para a justa e efetiva punição.

E que esses avanços sirvam de motivador para fomentar uma nova consciência política em nosso país, tirando da zona de conforto nós, o povo, e os políticos, responsáveis por ditar os rumos do Estado.

Ir para rua, sim, mas com razão, fundamento e responsabilidade.

Porque não é por 0,20 centavos. É por uma nova consciência política. É por um país melhor e mais justo. Que venham as mudanças!

Cuiabá, 21/06/2013.

Cuiabá, 21/06/2013.

Entrevista ao blog Entrando no Jogo

O Campeonato Paranaense terminou dentro de campo. Já conhecemos o seu campeão, mas um assunto que rendeu muito desde o apito final do primeiro jogo da decisão em nada está relacionado com a disputa da partida, mas a uma atitude praticada por um atleta utilizando do seu perfil na rede social Twitter, e que lhe rendeu uma punição severa pelo TJD/PR.

Nesse post, reproduzo o artigo elaborado pela competente Gabriela Ribeiro, ao blog http://entrandonojogo.com.br que tive a honra de participar e a quem agradeço a oportunidade, e que trouxe com propriedade o problema e porque o atleta foi punido.

O caso ainda não se encerrou, e pode render algum assunto ainda.

Esporte em geral: Não dá para ‘xingar muito’ no Twitter

“Xingar muito no Twitter” não é uma opção para atletas. Pelo menos é o que comprova Sergio Escudero, zagueiro do Coritiba, punido em primeira instância por postar frases ofensivas na rede social. O caso ocorreu na semana anterior à final do Campeonato Paranaense 2013. Em sua página no microblog, o jogador dirigiu palavras que despertavam a violência entre as torcidas – “No domingo, vamos matar os porcos!”, escreveu o zagueiro. Na sequência, Escudero respondeu a um torcedor com termos impróprios.

Por tal afirmação, o jogador foi denunciado por incitação ao ódio e à violência. O atleta foi condenado à pena mínima que é de suspensão por 360 dias. Escudero também recebeu duas denúncias por agressão física na primeira partida da final do Estadual, mas não foi considerado culpado. O Coritiba pode recorrer do veredicto e a decisão poderá ser mantida ou atenuada, bem como o zagueiro ser condenado também pelos casos de agressão.

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O procurador-geral do TJD-PRMarcelo Contini, explica que Escudero foi condenado pelo fato de sua declaração ir contra todos os esforços que são feitos, hoje em dia, para combater a violência. “Existem os que se utilizam da paixão pelos clubes para alimentar uma rivalidade que beira o ódio e a intolerância. Isso exige, das autoridades, um trabalho constante de conscientização”, diz o procurador-geral. “Uma frase que contenha expressões que acirram ainda mais essa animosidade vai na contramão desse trabalho e prejudica consideravelmente o processo”, completa.

O problema é mais grave por se passar no âmbito cibernético. “Quando a frase é postada em rede social de largo e imediato alcance, como é o Twitter, é criada uma situação de perigo”, explica Contini. “Hoje, temos o absurdo de brigas entre torcidas que são marcadas através de redes sociais”, conta.

A abrangência das redes sociais e a liberdade que se tem no mundo virtual são pontos de constante questionamento entre os usuários da rede. A analista de mídia social Fernanda Musardo explica que não é possível separar a vida real do que acontece online. “Qualquer ambiente na internet é público e você sempre será responsabilizado por suas atitudes, como em qualquer outro lugar no mundo”, afirma Fernanda. “A ideia que se criou de que ‘tudo é permitido porque estou protegido por uma tela de computador’ é leviana e não condiz com a realidade”, relata a analista.

Quando questionada sobre a possibilidade de controle das redes sociais dos atletas, Fernanda diz que a autonomia nos perfis pessoais é saudável. “(O atleta) deve utilizar (as redes sociais), deve se aproximar do público. Só não pode perder o respeito pelo próximo e agir de maneira irresponsável”, indica.

O desconhecimento ainda é o maior inimigo do comportamento de clubes, dirigentes e atletas em relação às redes sociais. A ABEX, Associação Brasileira dos Executivos de Futebol, que tem em seu rol de membros dirigentes esportivos de todo o Brasil, condena, no código de conduta, o uso de tais mídias pelos executivos da bola. A proibição (“Jamais deve existir o relacionamento de um Executivo de Futebol através das redes sociais”) representa, inclusive, o tabu que se criou em torno dos meios. Talvez a medida seja vista como radical, mas a impossibilidade de se estabelecer um padrão de procedimentos online faz com que a melhor maneira de evitar problemas seja eliminar o mal pela raiz.

Em contrapartida, bons modelos têm surgido no meio esportivo. A Associação de Futebol (FA) da Inglaterra, por exemplo, não proibiu que seus atletas mantenham contas em redes sociais, mas estipulou um rígido manual de conduta. Depois de algumas confusões que envolveram colegas de time, como na ocasião em que Ashley Cole criticou dirigentes ao sair em defesa de John Terry, a FA optou por regular o uso dos meios. Em dias de jogos, os atletas não podem fazer comentários no Twitter. Os jogadores também não têm permissão para falar de outros companheiros, técnicos ou dirigentes. As punições disciplinares são levadas à risca.

Em relação ao processo de mudança de comportamento nas redes sociais, Fernanda diz que há muito a ser feito. “É um processo natural de amadurecimento”, exemplifica a analista. “Muitas pessoas ainda irão entrar em situações delicadas por conta da mídia social, mas isso é natural e faz parte do amadurecimento”, completa.

Contini conta que casos semelhantes – de postagens ofensivas no Twitter – já foram registrados pelo TJD-PR. Segundo o procurador-geral, no ano passado, dirigentes do Atlético receberam multas com valor entre R$ 2,5 mil e R$ 15 mil por tweets indiscriminados. Ao buscar exemplos a nível nacional, outros atletas já tiveram punições similares. “No STJD, atletas foram punidos por postagens no Twitter e dirigentes por entrevistas dadas após as partidas”, relata Contini. Em 2011, Neymar foi condenado a pagar R$ 15 mil ao árbitro Sandro Meira Ricci por mensagens indecorosas na rede social. O caso, entretanto, foi julgado no Fórum de Santos, já que foi movido pelo próprio Ricci.

O estabelecimento de normas para os atletas, como as dos jogadores ingleses, talvez seja a melhor solução para evitar que o problema continue a se repetir. Enquanto o pensamento dos clubes não se expande para compreender que o mundo cibernético é uma realidade no dia-a-dia esportivo, resta, ao menos, ensinar a gramática de Camões aos atletas. Escudero que o diga. A responsabilidade de condenar o péssimo uso da língua portuguesa, contudo, não é do TJD. “Deixemos isso para os professores”, finaliza, em tom de brincadeira, o procurador-geral.

O texto também está publicado no site “Doentes por Futebol” neste link http://www.doentesporfutebol.com.br/2013/05/27/nao-da-para-xingar-muito-no-twitter/

ATLETIBA 354

ATLETIBA

Hoje é dia de clássico. Atlético Paranaense x Coritiba. ATLETIBA!

Muitos fazem força para desvalorizá-lo, jogando sobre esse PATRIMÔNIO DO FUTEBOL a mancha da intolerância, da violência, da ignorância.

Esquecem que o futebol é um esporte, e a partir dele tudo se origina.

É o futebol que está acima das extravagâncias, vaidades, das rixas gratuitas, dos conflitos egocêntricos, da vingança que os vândalos buscam a todo tempo colocar em evidência.

Porque hoje é dia de futebol, de confraternizar, de rivalizar com o adversário sendo ele atleticano ou coxa-branca, de saborear a vitória, lamentar a derrota, ou se indignar com o empate.

É dia de celebrar a beleza da partida, por mais que ela não seja tão bela assim, porque alí estão os limites postos pelo desafio, o gosto doce da superação, o amargo do erro, a exaltação do objetivo alcançado.

O adversário está caído. Vencemos!

E todos esses sentimentos são ingredientes de um clássico do futebol, como é o ATLETIBA. Do campo à arquibancada e mundo afora!

E essa beleza toda faz do futebol esse esporte tão importante para muitos. Quase todos!

Ao estádio, com o sentimento esportivo, de respeito ao oponente, tomando conta do pensamento e do ambiente.

E dentro do estádio, o santo lar do futebol, tenhamos uma grande disputa adicionada da rivalidade entre as esquadras.

E que vença o melhor!

Entrevista ao Blog do IDDBA

Na última semana, fui convidado pelo amigo @miltonjordão, membro do Instituto de Direito Desportivo da Bahia – IDDBA, para participar de um dos novos projetos do instituto, denominado “Entrevistas JusDesportivos”.

O objetivo do projeto é proporcionar que os leitores do blog do IDDBA conheçam quem faz o Direito Desportivo.

Honrado e agradecido pela oportunidade de projeção, permitindo que muitos possam conhecer o nosso trabalho, mas, principalmente, pela possibilidade de colaborar com tão nobre iniciativa do Instituto que realiza um trabalho de relevância e destaque na consolidação do Direito Desportivo no Brasil.

Convido os amigos para visitar o  Blog do IDDBA (www.blogdoiddba.com), fonte de artigos sobre Direito Desportivo, e divulgação dos eventos promovidos pelo Instituto, como o Seminário Nacional Esporte e Justiça Desportiva e o Fórum de Debates sobre Direito Desportivo, que será realizado nos dias 17 e 18 de abril.

Abaixo, reproduzo a entrevista concedida ao Instituto.

Entrevista JusDesportiva: Marcelo Contini, Procurador Geral do TJD/PR

Marcelo Contini

BLOG DO IDDBA: Quem é o Dr. Marcelo Contini?

MARCELO CONTINI: Sou advogado, nascido em Dourados e criado em Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul. Formado em Direito pela Universidade Paranaense em 2004. Advogo em Curitiba desde 2006 atuando nas áreas de Direito do Consumidor, Trabalhista e Desportivo.

BLOG DO IDDBA: Como começou o seu interesse pelo direito desportivo?

MARCELO CONTINI: Sempre gostei de futebol. Eu cresci acompanhando meu pai, zagueiro dos bons, nos jogos do campeonato amador lá em Dourados, no campo da Leda, e depois em Mundo Novo, onde participei da escolinha de futebol de salão do Clube Atlético Mundo Novo, atual URSO, e tive a oportunidade de atuar jogando também no futebol de campo, até o juvenil. O interesse sobre o Direito Desportivo começou acompanhando os casos julgados pelo TJD/PR e STJD, e alguns litígios na área trabalhista.

BLOG DO IDDBA: Qual a sua leitura sobre o direito desportivo no Paraná?

MARCELO CONTINI: O Paraná é um Estado de destaque no Direito Desportivo. Promissor, por sinal, pois é rico em produção jusdesportiva especialmente no campo disciplinar. Um estado pioneiro na constituição dos Tribunais Desportivos, possuindo vários personagens expoentes que influenciaram também nas reformas do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), destacando o Dr. Alexandre Quadros e o Dr. Paulo Schmitt, e, no campo doutrinário, o Dr. Paulo Gradela.

BLOG DO IDDBA: O que lhe moveu fazer parte da Justiça Desportiva?

MARCELO CONTINI: Eu queria participar, contribuir de alguma forma com o esporte. Já que não pude me tornar um atleta (risos), e o interesse pelo futebol nunca acaba, vi no Direito Desportivo uma possibilidade além de uma nova opção profissional. Então, participei de cursos na Escola Superior da Advocacia da OAB/PR sobre a matéria, instigado também a compreender a atuação e função dos Tribunais Desportivos que se mostraram uma porta aberta para ingressar de vez nesse ramo. A partir dos cursos surgiu o convite para participar da Procuradoria do TJD/PR do Futebol de Salão e, tempos depois, para ingressar na Procuradoria do TJD/PR do Futebol.

BLOG DO IDDBA: O que consideraria como um grande feito seu no mundo do direito desportivo?

MARCELO CONTINI: Diria que a contribuição para a reestruturação da Procuradoria do TJD/PR do Futebol de Salão foi o primeiro grande trabalho. De minha iniciativa foi a fixação de diretrizes para atuação dos Procuradores, acolhida por todos, e sugestões para uma padronização dos atos da secretaria do Tribunal.
O trabalho no TJD do Futsal me credenciou a uma vaga do TJD/PR do Futebol onde o feito de destaque foi a atuação no casos envolvendo os Clássicos ATLETIBA do 1º e 2º turno do Campeonato Paranaense de 2012.
Nesse caso, debatemos a iniciativa dos clubes de promover os jogos com torcida única e uma possível violação do Estatuto do Torcedor, principalmente porque não existia uma situação efetivamente de risco para essa providência. Essa discussão envolveu uma denúncia e uma medida inominada, ganhou repercussão e movimentou bastante o TJD/PR naquele campeonato, e que rendeu frutos na prática, em especial, contribuindo para amadurecer a efetividade do Estatuto do Torcedor.
Esse trabalho, e a atuação incisiva nas Comissões Disciplinares na tutela da disciplina desportiva, me credenciou a ser eleito Procurador Geral do TJD/PR do Futebol, em agosto/2012.
O feito mais recente de minha iniciativa foi o curso que ministrei na PUC/PR no último mês de março, sob o título Direito Desportivo: Noções sobre CBJD, Disciplina e Processo, o qual teve boa recepção no meio acadêmico.

BLOG DO IDDBA: Acredita que após os megaeventos ainda se falará tanto de direito desportivo?

MARCELO CONTINI: O Direito Desportivo é um ramo que desponta e não envolve apenas os Tribunais. O esporte envolve uma diversidade de interesses e eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas fomentarão ainda mais o profissionalismo, dando oportunidade ao surgimento de novas relações envolvendo atletas e equipes, equipes e empresas patrocinadoras/investidoras no esporte, sem esquecer do torcedor, fundamental em toda essa estrutura. Certamente, se falará muito mais sobre Direito Desportivo, porque os megaeventos contribuirão para consolidar as demais ramificações do Direito Desportivo na área cível, especialmente a contratual e responsabilidade civil, e trabalhista.

BLOG DO IDDBA: O que dizer a um jovem que sonha seguir o rumo do direito desportivo?

MARCELO CONTINI: Posso fazer uma analogia com o próprio esporte. O Direito Desportivo possui várias peculiaridades porque destinado a reger uma atividade igualmente específica. E por ser seletivo, exige aperfeiçoamento constante, dedicação, força e sabedoria, para discernir o momento de dificuldade e transformá-lo em êxito na próxima oportunidade.

BLOG DO IDDBA: Defina Marcelo em dois adjetivos.

MARCELO CONTINI: Dedicado e sagaz

BLOG DO IDDBA: Qual sua mensagem para o Blog do IDDBA?

MARCELO CONTINI: Propiciar o desenvolvimento do do Direito Desportivo no Brasil, permitindo aprofundar o debate sobre esse ramo que, aos poucos, vai ocupando o seu lugar no cenário jurídico do país, é das mais nobres missões a ser encampada. Muita força e disposição nesse trabalho de fundamental importância para o esporte. Um grande abraço aos amigos do IDDBA.

Novos Projetos

Os amigos que acompanham o blog devem ter percebido o abandono em que ele se encontra.

E eu preciso fazer aqui as minhas escusas, por respeito a vocês, e também justificar.

Muitos afazeres impediram que cuidasse da forma adequada do blog; foram muitas questões relacionadas a atuação à frente da Procuradoria de Justiça Desportiva do TJD do Futebol do Paraná, e outros projetos relacionados ao Direito Desportivo, dentre eles, a estruturação de um curso de extensão universitário, projeto que a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), de Curitiba, recebeu com bons olhos e permitiu a sua realização, sendo ministrado por mim nos dias 09 e 16 de março.

Curso de Extensão PUC

 

O curso também foi muito bem recebido pelos universitários que manifestaram grande interesse sobre a vertente Disciplinar do Direito Desportivo, com grande interação durante as aulas.

O trabalho na Procuradoria do TJD/PR do Futebol tem sido intenso. Grandes julgamentos tem ocorrido durante o Campeonato, destacando o caso que tratou dos fatos ocorridos durante o jogo Londrina x Coritiba, caso de riquíssimo conteúdo jusdesportivo que merecerá um post.

Há muito a ser falado sobre as transformações que recentemente ocorreram no cenário esportivo. A inauguração de novos estádios seguindo o padrão FIFA, que tem mexido diretamente com a liberdade de torcer; o debate sobre o retorno dos campeonatos regionais e um maior questionamento sobre a continuação e formato dos campeonatos estaduais.

Cada um desses assuntos serão abordados oportunamente aqui, sem deixar de trazer artigos relacionados diretamente às questões de Direito Desportivo, especialmente o processo disciplinar.

Aguante, amigos!